No Araguaia: Garota que revelou estupros diz que família sabia e não fez nada

Hoje ela mora em outra cidade e aos 19 anos decidiu tornar público a sua história no facebook e pedir justiça para o caso dela

Por Olhar Direto 16/07/2017 - 20:03 hs

No Araguaia: Garota que revelou estupros diz que família sabia e não fez nada
Ela tornou público que se cortava só de lembrar o que passou na vida

Uma jovem de 19 anos, que residia no passado em Pontal do Araguaia-MT, publicou relatos dos momentos de horror que passou nas mãos do próprio pai, um ex-policial militar de Mato Grosso que já foi expulso da corporação por outros motivos, e que agora é acusado de estupro pela própria filha. Na denúncia, diz que a filha foi abusada sexualmente durante oito anos. O caso já era investigado pela Delegacia da Mulher de Barra do Garças, mas ganhou repercussão após a postagem da vítima que saiu dia 10 de julho na página social.

Segundo amigos, a jovem decidiu publicar o texto porque não viu nenhuma providência ser tomada com relação ao seu caso. A publicação dela tinha 16.520 compartilhamentos até às 11h20 de sábado 15.07. Os assédios tiveram início, segundo a mulher, quando ela tinha sete anos, ao morar com os pais pela primeira vez após passar parte da infância com a avó:

A jovem morava em Barra do Garças no bairro São João com os avós e tinha um sonho de morar com os pais fato que aconteceu quando ela foi morar com os pais em Pontal do Araguaia. “Todos os dias eu sentia falta do meu pai. Minha avó me disse que se eu orasse todos os dias pedindo que meu pai me levasse pra morar com ele, Deus ouviria e eu não choraria mais. Orei. Orei muito. Até que aconteceu. E eu estava tão feliz por ter minha mãe e meu pai por perto todos os dias! Mas um dia aquela felicidade se transformou em um inferno de dor que até hoje eu vivo”, diz trecho da publicação.
 
No início, o pai deitava na mesma cama que a menina e dizia que os dois iriam brincar: “Fechei meus olhos enquanto ele acariciava meu corpo. Eu disse que não queria. Mas homens não entendem que não é não”. Depois disto, o homem ainda chegava a dar dinheiro para ela, para que não denunciasse o caso.
 
Toda a família chegou a ficar sabendo do caso, segundo a jovem, mas não deram atenção ao caso. “Eu contei pra minha mãe com onze ou doze anos de idade. Eu pensei que ela iria separar dele. Mas não. Ela contou pra minha família e ninguém nunca fez nada. Todos ignoraram a minha dor como se eu fosse nada. E continuou. Todos os dias na hora do almoço, ele me levava para dentro do quarto, trancava a porta, me deitava e eu tapava os olhos e chorava ali mesmo. Ele roubou minha infância e minha adolescência”.
 
Quando tinha 15 anos, ela resolveu enfrentar o agressor: “Ele me levou pro quarto à força e eu disse que se ele tocasse em mim eu iria denunciar ele. Ele me agarrou pelo braço e me jogou no chão pra fora do quarto e me chamou de ingrata. Nesse dia eu me tranquei no banheiro e chorei desesperada sentada no chão com medo de que algo acontecesse com meus irmãos e minha mãe. Pois ele sempre se tornava agressivo com todos quando eu demonstrava ter força e coragem para contar a todos”.
 
Depressiva, a menina chegou a perder dez quilos em apenas um mês e em outubro do ano passado tentou se matar. “Tomei trinta comprimidos de Rivotril [medicamento para ansiedade]. Me levaram para o hospital e os médicos decidiram me internar em um manicômio! Fiquei internada por quatro dias. (...) Em abril tentei suicídio de novo. Comprei lâminas e cortei meus pulsos. Mas acordei no hospital com o médico dando pontos nos cortes. Estava tão desesperada que gritei por ajuda naquele hospital e ninguém mais uma vez fez nada”.
 
Um inquérito foi aberto para apurar as denúncias e tramita em segredo por determinação do Juizado da Infância e Juventude. No fim da publicação, a jovem pede aos que sofrem com os mesmos tipos de abuso que denunciem: “É o seu corpo e é você quem decide quem o toca. Se ninguém te ajuda, ajude a si mesma. Você é linda e é digna de amor”, aconselha.